Vamos ser honestos desde o começo: se você tem um site de contabilidade, psicólogo, imobiliária, barbearia, clínica, escritório ou qualquer outro negócio local comum, dificilmente alguém está abrindo o seu site com um cronômetro na mão pensando:
“Nossa, carregou em 1.8s ao invés de 1.2s.”
Isso simplesmente não é como a maioria das decisões acontece no mundo real.
O mito que a bolha dev ajudou a criar
(E eu, em algum momento, fiz parte disso)
Dentro da bolha dev, muitas vezes parece que PageSpeed abaixo de 90 é erro grave, Lighthouse fora do verde é sinal de descuido e CLS acima de 0.1 é quase um pecado arquitetural. Só que fora dessa bolha — onde negócios precisam gerar clientes e pagar contas — a lógica costuma ser mais pragmática.
O cliente quer aparecer no Google, ser encontrado no Maps, passar confiança e conseguir falar com alguém sem fricção. Ele não sabe o que é LCP, não liga para TBT (não o do antigo Twitter, outro) e dificilmente vai deixar de contratar um serviço porque o PageSpeed deu 78 em vez de 95.
E isso não torna o cliente errado - só humano.
Então PageSpeed não importa?
Importa, sim. E bastante. Mas não da mesma forma para todos os contextos.
Existe uma diferença enorme entre um site lento de verdade — pesado, travando, levando 5, 6, 8 segundos para mostrar algo — e um site bem construído, ali na casa dos 65–80 de score, carregando rápido o suficiente para entregar uma boa experiência.
A partir desse ponto, os ganhos continuam existindo, mas deixam de ser transformacionais e passam a ser incrementais. Sair de 40 para 70 muda completamente a percepção do usuário. Sair de 70 para 95 melhora detalhes importantes, mas raramente redefine sozinho o resultado de um negócio local.
“Mas e o SEO?”
Sim, velocidade é fator de ranking. Isso é fato. Mas também não é o fator dominante na maioria dos cenários.
Na prática, especialmente para sites comuns, pesam muito mais o conteúdo, o SEO local bem feito, a clareza da oferta, a autoridade e os reviews. Velocidade entra como um excelente reforço — muitas vezes como critério de desempate — mas dificilmente como um milagre isolado.
Um PageSpeed 98 ajuda, melhora a experiência e reduz fricção. Só não compensa sozinho um conteúdo fraco ou uma proposta confusa.
O ponto que quase ninguém coloca na mesa
Buscar scores muito altos normalmente envolve decisões técnicas reais: reduzir animações, rever estética, mudar abordagens de renderização, migrar para SSG/ISR, otimizar build, revisar dependências. Tudo isso tem custo — de tempo, de complexidade e de decisão arquitetural.
Para muitos sites comuns, o retorno mais visível dessas otimizações aparece quando existe volume: tráfego relevante, muitas sessões, muitas conversões ou produtos digitais mais complexos. Fora disso, o ganho existe, mas é mais sutil e cumulativo.
Isso não é ser contra performance. É entender proporção técnica. Arquitetura também é saber até onde faz sentido ir.

A pergunta certa não é “qual o score?”
A pergunta certa é:
“Meu site carrega rápido o suficiente para entregar uma boa experiência e não afastar ninguém?”
Quando a resposta é sim, você já resolveu a maior parte do problema. O resto vira refinamento.
Spoiler do próximo post
Antes que alguém pense que isso é só opinião, em um futuro post eu vou continuar esse, e entrar nos dados: estudos reais, Core Web Vitals, métricas de campo, empresas grandes e impactos concretos em conversão e negócio. Sem teste de laboratório vazio — só números de quem ganhou ou perdeu dinheiro com performance.
Agora eu quero saber de você: você já viu cliente reclamar de velocidade? Já perdeu projeto por score? Já sentiu diferença real ao melhorar performance?
Vamos falar da vida real — com menos dogma e mais contexto.