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A IA vai tomar seu emprego de programador?

3 min de leitura
A IA vai tomar seu emprego de programador?

Essa pergunta aparece todo ano com uma roupa nova. Antes foi:

  • low-code

  • no-code

  • offshore barato

  • frameworks “que fazem tudo”

Agora é a vez da IA.

E, como sempre, o medo não é irracional — ele só é mal direcionado. Não vou ser negacionista, nem alarmista. É uma análise prática, baseada no que já está acontecendo agora, não em promessas de marketing.

O erro começa quando confundimos código com trabalho

Muita gente acha que o trabalho do programador é escrever código. Não é.

Código é o subproduto. O trabalho real do programador é:

  • entender problemas

  • traduzir regras de negócio

  • tomar decisões técnicas

  • lidar com trade-offs

  • assumir responsabilidade por falhas

IA escreve código. Ela não assume consequências.

O que a IA já faz melhor que muita gente

Vamos ser justos. Hoje, IA já é excelente em:

  • gerar CRUDs

  • escrever código repetitivo

  • criar testes básicos

  • refatorar trechos isolados

  • sugerir implementações

Isso assusta quem vive apenas nesse nível. E aqui vem a parte desconfortável:

boa parte do mercado vive exatamente aí.

Quem realmente está em risco

A IA não substitui “programadores”. Ela substitui perfis. Utilizando este ponto de vista como análise, estão em risco:

  • quem só executa ticket

  • quem copia e cola sem entender

  • quem depende de framework para pensar

  • quem não sabe explicar o próprio código

Essas pessoas não estão perdendo espaço para IA. Elas estão perdendo espaço para automação inevitável. E, sendo brutalmente honesto com você, brigar contra a "revolução da IA" é como brigar com a revolução industrial: não tem como.

Quem ganha força com IA

Agora a outra metade da história, que começa a ficar muito interessante! Ganham força:

  • devs que entendem domínio

  • arquitetos

  • seniors de verdade

  • quem sabe dizer “não”

  • quem projeta antes de codar

Para esses perfis, IA vira um multiplicador de capacidade, não um concorrente. Na verdade, um funcionário de alta qualidade que não divide os lucros.

IA ainda não cria sistemas — ela cria respostas

Um ponto que quase ninguém fala:

IA responde prompts.

Ela não entende contexto organizacional.

Ela não sabe:

  • por que aquela regra existe

  • qual risco é aceitável

  • o que quebra o negócio

  • quem vai pagar o prejuízo

Sistemas existem dentro de realidades humanas. A IA não vive nelas.

O futuro próximo: menos devs, mais responsabilidade?

Sim, haverá menos vagas para código trivial, tarefas mecânicas e manutenção sem contexto. Mas haverá mais demanda por clareza, previsibilidade, arquitetura, comunicação técnica.

O mercado não quer menos software. Quer menos caos.

O verdadeiro divisor de águas

A pergunta não é: “a IA vai tomar meu emprego?”. É: “eu sei explicar por que meu código existe?”

Se a resposta for sim, você está seguro. Se for não… o problema não é a IA.

Como se preparar (de verdade)

Não é aprendendo mais framework.

É aprendendo fundamentos, domínio de negócio, leitura de código, escrita clara, design simples. E usar IA como assistente, copiloto, acelerador. Nunca como cérebro terceirizado.

Concluindo, a IA não substitui profissionais

Ela substitui improviso, superficialidade e dependência cega. Se você escreve código sem entender o sistema… sim, seu emprego corre risco. Se você constrói sistemas que pessoas e empresas dependem… a IA veio para te ajudar, não para te substituir.

O futuro não pertence a quem digita mais rápido. Pertence a quem pensa melhor.

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