Essa pergunta aparece todo ano com uma roupa nova. Antes foi:
low-code
no-code
offshore barato
frameworks “que fazem tudo”
Agora é a vez da IA.
E, como sempre, o medo não é irracional — ele só é mal direcionado. Não vou ser negacionista, nem alarmista. É uma análise prática, baseada no que já está acontecendo agora, não em promessas de marketing.
O erro começa quando confundimos código com trabalho
Muita gente acha que o trabalho do programador é escrever código. Não é.
Código é o subproduto. O trabalho real do programador é:
entender problemas
traduzir regras de negócio
tomar decisões técnicas
lidar com trade-offs
assumir responsabilidade por falhas
IA escreve código. Ela não assume consequências.
O que a IA já faz melhor que muita gente
Vamos ser justos. Hoje, IA já é excelente em:
gerar CRUDs
escrever código repetitivo
criar testes básicos
refatorar trechos isolados
sugerir implementações
Isso assusta quem vive apenas nesse nível. E aqui vem a parte desconfortável:
boa parte do mercado vive exatamente aí.
Quem realmente está em risco
A IA não substitui “programadores”. Ela substitui perfis. Utilizando este ponto de vista como análise, estão em risco:
quem só executa ticket
quem copia e cola sem entender
quem depende de framework para pensar
quem não sabe explicar o próprio código
Essas pessoas não estão perdendo espaço para IA. Elas estão perdendo espaço para automação inevitável. E, sendo brutalmente honesto com você, brigar contra a "revolução da IA" é como brigar com a revolução industrial: não tem como.
Quem ganha força com IA
Agora a outra metade da história, que começa a ficar muito interessante! Ganham força:
devs que entendem domínio
arquitetos
seniors de verdade
quem sabe dizer “não”
quem projeta antes de codar
Para esses perfis, IA vira um multiplicador de capacidade, não um concorrente. Na verdade, um funcionário de alta qualidade que não divide os lucros.
IA ainda não cria sistemas — ela cria respostas
Um ponto que quase ninguém fala:
IA responde prompts.
Ela não entende contexto organizacional.
Ela não sabe:
por que aquela regra existe
qual risco é aceitável
o que quebra o negócio
quem vai pagar o prejuízo
Sistemas existem dentro de realidades humanas. A IA não vive nelas.
O futuro próximo: menos devs, mais responsabilidade?
Sim, haverá menos vagas para código trivial, tarefas mecânicas e manutenção sem contexto. Mas haverá mais demanda por clareza, previsibilidade, arquitetura, comunicação técnica.
O mercado não quer menos software. Quer menos caos.
O verdadeiro divisor de águas
A pergunta não é: “a IA vai tomar meu emprego?”. É: “eu sei explicar por que meu código existe?”
Se a resposta for sim, você está seguro. Se for não… o problema não é a IA.
Como se preparar (de verdade)
Não é aprendendo mais framework.
É aprendendo fundamentos, domínio de negócio, leitura de código, escrita clara, design simples. E usar IA como assistente, copiloto, acelerador. Nunca como cérebro terceirizado.
Concluindo, a IA não substitui profissionais
Ela substitui improviso, superficialidade e dependência cega. Se você escreve código sem entender o sistema… sim, seu emprego corre risco. Se você constrói sistemas que pessoas e empresas dependem… a IA veio para te ajudar, não para te substituir.
O futuro não pertence a quem digita mais rápido. Pertence a quem pensa melhor.